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BRASIL | 17/01/2011
Anoticiamais em Tiradentes

 

Quem vai a Tiradentes, cidade mineira considerada patrimônio histórico mundial fica encantado com o aconchego do lugar e sua tradição cultural e histórica. Caminhar por suas ruas esculpidas em pedras, entrar em suas igrejas, visitar a casa onde viveu Tiradentes é viver um pouco do movimento da Inconfidência Mineira, e sentir os ares da liberdade que veio dali.

O pequeno povoado de São João Del Rei virou cidade, mas mantém suas características intactas, ao contrario do que vem ocorrendo com a cidade de Outro Preto onde a população na busca pelo progresso, vem descaracterizando a história ao ponto de por em risco seu título de patrimônio histórico mundial.

Fazer turismo hoje em Tiradentes é fácil e barato. Em suas charretes estacionadas na praça principal um passeio para conhecer as tradições custa em torno de R$ 40 a 50 reais com direito a cicerone ( o próprio condutor da charrete), no entanto pela dimensão da importância de seu artesanato em couro, madeira, ferro,  latão, cobre, estanho e prata principalmente, os preços podem ser considerados um pouco exagerados.

Móveis com características milenares têm preços a partir de R$10 mil reais e um jogo de lustres imperial chega ao preço de R$ 30 mil. Mesmo assim boa parte das pessoas que visitam a cidade está mais interessada em fazer compras que entender sua riqueza histórica.

Anoticiamais percorreu a cidade e registrou imagens bucólicas sensacionais que resgata o ciclo do ouro, a importância das igrejas, algumas delas com acabamento no rico metal que levou a traição e a morte de muitos. Uma viagem ao passado que você vai rever agora.

A História

Os primeiros povoadores das terras do atual município de Tiradentes foram paulistas, atraídos pelos cascalhos e manchas de ouro nos montes e bacia do rio das Mortes.

Segundo o professor Fábio Nelson Guimarães, a região foi desbravada por Tomé Portes del-Rei guarda-mor distrital estabelecido nas imediações da atual São João del-Rei, como preposto do guarda-mor geral Garcia Rodrigues Pais.

No lugar denominado Porto Real da Passagem, vivia Portes com sua família, cuidando de suas canoas, da agricultura e venda de víveres e munição, além de cobrar impostos dos aventureiros.

Em suas andanças, à cata de ouro, João de Siqueira Afonso chegou àquelas paragens, alertando Portes sobre a existência de ouro no sopé da serra de São José.

Fundou-se no ano de 1702 o primeiro agrupamento de garimpeiros no local denominado Arraial de Santo Antônio, com a fixação de Siqueira Afonso e seus auxiliares.

Nesse mesmo ano morreu Portes, quando eram explorados os veios da ponta do morro, muito abaixo do riacho de Santo Antônio, sob a orientação de Antônio Bueno, nas imediações de Prados.

Somente após o seu falecimento descobriram-se sob a direção do guarda-mor Antônio Garcia da Cunha, os veios auríferos das serras sanjoanenses, no ano de 1705.

Palco das lutas entre paulistas e emboabas, a região evoca ainda a chacina do Capão da Traição, em fevereiro de 1709. Os paulistas planejaram a desforra sob o comando de Amador Bueno da Veiga e os combates se prolongaram de 14 a 18 de novembro daquele ano, quando os paulistas abandonaram o local, ante a notícia da vinda de reforços aos adversários. Os sobreviventes dessas lutas instalaram-se na Várzea do Marçal, até a final pacificação da região.

A 19 de janeiro de 1718 criou-se a segunda vila do Rio das Mortes. com o nome de São José, em homenagem ao Príncipe D. José, então com 4 anos de idade, filho de D. João V.

Sítio histórico por excelência foi sobretudo berço do Mártir da Independência, Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes.

Com a exploração do ouro em grande escala sua população cresceu provocando um aumento rápido de moradias, construção de igrejas, bom número de comerciantes, surgindo então a cidade, a 7 de outubro de 1860.

JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER - o Tiradentes - nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José del Rei (hoje Tiradentes) e São João del Rei Minas Gerais, e foi executado em 21 de abril de 1792, na cidade do Rio de Janeiro.

Aprendeu as primeiras letras com seu irmão Domingos. Órfão aos 11 anos fêz-se sucessivamente mascate, minerador e médico prático. A alcunha adveio da habilidade com que manejava o boticão. Sua popularidade se estendeu até o Rio de Janeiro.

Pertenceu ao Regimento de Dragões de Minas Gerais. No posto de alferes, como comandante da patrulha do Caminho Novo, de Vila Rica ao Rio de Janeiro, mostrou-se eficiente e destemido na ronda do mato, contra salteadores que infestavam a região. Desempenhou outras funções, tendo recebido elogios do Governador Luís da Cunha Menezes, O \\\"Fanfarrão Minésio\\\" das Cartas Chilenas.

Quatro vezes preterido nas promoções, licenciou-se do Exército e voltou à mineração, comprando um sítio na Rocinha Negra, Comarca do Rio das Mortes. Não foi, porém, feliz nos negócios.

Planejou, depois, em 1788, um empreendimento de vulto no Rio de Janeiro: a canalização dos rios Andaraí e Maracanã, além da construção de um trapiche e local para embarque e desembarque de gado. O vice-rei não acreditou nos projetos, que seriam mais tarde executados, por D. João VI.

Esses planos, a par da preocupação de instalar em Minas uma fábrica de ferro, indicam o tirocínio de Tiradentes.

Em 1789, causou descontentamento geral no povo a chegada as Minas do Visconde de Barbacena com o propósito de proceder a cobrança dos quintos, em atraso. O lançamento da derrama deu origem a conjuração que passou à história com o nome de Inconfidência Mineira. O grupo de conspiradores, composto de homens cultos e influentes, tinha no Tiradentes seu mais ardoroso adepto, que se encarregaria de prender o Governador quando recebesse a senha: \\\"Tal dia é o batizado\\\". A conjura teve um delator - coronel Joaquim Silvério dos Reis. Barbacena suspendeu a derrama e Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro a 10 de maio de 1789.

Nos três anos por que se arrastou o processo, Tiradentes assumiu toda a responsabilidade da rebelião. Condenado à forca, subiu ao patíbulo, depois de percorrer em procissão as principais ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Morto, cortaram-lhe a cabeça e esquartejaram-no. Com seu sangue lavrou-se uma certidão de que fora cumprida a sentença. Metidos em salmoura, os restos do herói voltaram à Capitania de Minas Gerais. A cabeça, dentro de uma gaiola, apodreceu em um poste, em Vila Rica. Os quartos ficaram expostos ao longo do Caminho Novo onde o \\\"malvado alferes\\\" fazia as \\\"infames prédicas\\\" pela liberdade da Pátria.

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA

Alvará de 12 de janeiro de 1719 criou o Município de São José del Rei, instalado a 28 do mesmo mês e ano, com o nome de São José do Rio das Mortes, mais tarde trocado para São José del Rei. Na realidade o primeiro nome foi São José da Ponta do Morro, também chamado Arraial Velho do Rio das Mortes e Arraial de Santo Antônio.

A criação do distrito data de 16 de fevereiro de 1724. Suprimido o Município pela Lei provincial n.º 360, de 30 de setembro de 1848, restaurou-o a de n.° 452, de 20 de outubro de 1849, com território desmembrado do Município de São João del Rei.

Em virtude da Lei provincial n.° 1.092, de 7 de outubro de 1860, foi à sede municipal elevada à categoria de cidade, à qual, por Decreto estadual n.° 3, de 6 de dezembro de 1889, foi dado o nome atual de Tiradentes.

A Lei estadual n.° 2, de 14 de setembro de 1891, ratificou a criação do distrito-sede do Município em apreço, que, na Divisão Administrativa de 1911 e nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1-IX-1920, figura com dois distritos: Tiradentes e Barroso.

De conformidade com a Lei estadual n.° 843, de 7 de setembro de 1923, o distrito de Tiradentes adquiriu parte do território do distrito-sede de Prados.

Entretanto, por Decreto-lei estadual n.° 148, de 17 de dezembro de 1938, perdeu o Município o distrito de Barroso, transferido para o recém-criado Dores de Campos, além de parte da, área do distrito-sede, para o Município de Prados.

Pela Lei estadual n.º 2.764, de 30 de dezembro de 1962, com a criação do distrito de Santa Cruz de Minas, passou a atual constituição em dois distritos.

 

 

Dados históricos Fonte: Biblioteca IBGE 

 



Fonte: ANoticiamais

Autor: Beto Neves/ De tiradentes

 


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