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ARTIGOS | 23/12/2011
OPINIÃO - A escravidão não acabou, apenas mudou de nome e endereço.

Ontem conversava com o programador Agnaldo Prates, um amigo e grande formador de opinião, pessoa culta que gosta de filosofar sobre a vida e suas nuances. De nossa conversa surgiu este artigo de opinião que gostaria de dividir com vocês.

Se existe uma coisa que está no nosso dia-a-dia e não tem como fugir dela é a escravidão. Ela já não é mais a do tempo do coronelismo onde o peão gastava tudo que ganhava numa vendinha dentro da própria propriedade, sem ter o acesso e nem o direito a escolha de onde comprar. Não é também aquela escravidão ainda mais antiga em que os escravos obedeciam a seu “Amo” termo designada para identificar seu dono a quem na realidade nenhum deles nunca amou.

Travestida de modernidade a escravidão mudou de nome chama-se agora servidão e o endereço está nas empresas grandes onde exploram os funcionários que os servem com salários baixos, segurança inadequada, planos de saúde que não funcionam etc.. É a servidão do homem em favor do homem que categoricamente os coloca na lida como massa de manobra.

Na maioria das vezes pessoas sem estudos, muito embora hoje exista até que tenha curso superior ralando pra ganhar R1 mil, R$ 1,5 mil reais por mês depois de ter gasto o equivalente ao que recebem hoje por quatro cinco anos numa faculdade para obter uma vida mais digna : como exemplo está aí o professor. Aliás, o pior de todos os exemplos já que é o que ensina aos que passam a ser os “servidos”.

O Capitalismo leva o homem à eterna escravidão, ou servidão seja lá que nome que queira dar a este ciclo vicioso onde muitos recebem muito pouco para que poucos possam reinar absolutos. Mesmo os profissionais liberais são escravos de si mesmos. Na correria do dia a dia para pagar os impostos , aliás o nome é bem sugestivo (impostos) já que é uma obrigação o pagamento para manter de pé o Estado que deveria protegê-lo e não o faz , para trocar o carro, para cobrir o limite da conta enfim a correria que mata por estresse, por acidente automobilístico, por infarto, por AVC e muitas outras doenças da modernidade.

Há ainda os ignorantes, aqueles que se matam todo dia para ter direito a tomar um pinga com limão e comer um torresminho como tira-gosto, fumar um cigarrinho de terceira categoria e jogar sinuca no final do expediente. Mesmo assim eles estão felizes. Se alegram em não ter contas para pagar, em medir o dinheiro sem ter acesso a um plano de saúde, a um churrasco com os amigos a um presente de Papai Noel no fim de ano, a um vestido mais bonito para esposa, ou seja, abdicaram da vida em favor do comodismo. São eles os escravos da própria ignorância.

Mundo escravo é o que vivemos onde a ignorância é explorada pelo poder, em especial o poder da política que manobra, que faz um serviço que deveria ser de responsabilidade do Estado como se fosse um beneficio pessoal para atrelar o povo mais humilde à possibilidade de obtenção do voto.

Normalmente isto é feito através de instituições assistenciais dos quais estes políticos são donos e recebendo dinheiro do Estado Maior fazem os “favores” como se fossem com seu dinheiro e se perpetuam no poder como anjinhos, muito embora vez por outra se tome conhecimento de suas “traquinagens”. Mesmo assim nunca são presos.

Quanto aos pobres,  ladrões de galinha, ou até aqueles que furtam leite em supermercado para alimentar o filho (normalmente eles tem muitos), fazem pesca predatória e outros mais, estes são considerados criminosos e vão pagar por serem eternos escravos do Poder.O pior é que ainda votam nos tais “senhores”, sem saber que em sua ignorância vão fazer a escravidão de um país inteiro e não só a sua.

O fato é que escravo ou servo é preciso começar a pensar, muito embora como a Igreja Católica há um milênio atrás proibia que os fiéis lessem para não formar opinião, nos dias de hoje se coíbe o acesso a informação de uma outra forma: sem dar chance a todos de ter acesso a faculdade , a universidade, a cursos técnicos profissionalizantes e outros.

Servo ou escravo, ontem ou hoje a mordaça continua e a liberdade de pensamento e expressão é a única fórmula mágica para mudar o curso da história.

E aí, vai continuar parado ou tentar redescobrir a roda?  

 

Beto Neves é jornalista e editor do Jornal A Notícia



Fonte: ANoticiamais

Autor: Beto Neves

 


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